Guaiaó - Derivas Insulares Guaiaó








Raphael Morone, 2026
Jogo-instalação participativo – tabuleiro modular, cartas, objetos e arquivo

Guaiaó – Derivas Insulares é um jogo-instalação participativo desenvolvido a partir de uma investigação sobre paisagem, memória, deslocamento e insularidade. O trabalho surgiu durante o Mestrado em Artes da UEMG e ganhou forma durante uma residência artística na Casa Camelo, quando as questões presentes na pesquisa passaram a ser experimentadas como jogo, encontro e construção coletiva.

A obra parte de um tabuleiro-oceano inicialmente vazio. Ao longo da interação, hexágonos são combinados e reorganizados, fazendo surgir ilhas, margens, passagens e arquipélagos que nunca assumem uma configuração definitiva. Não há vencedores ou derrotados: jogar significa deslocar-se, modificar a paisagem e deixar nela rastros. O mapa deixa de funcionar como representação de um território preexistente e passa a registrar temporariamente as relações estabelecidas entre as pessoas que o constroem. 

Quatro tipos de cartas acionam esse processo. Ilha cria pontos de ancoragem e atribui condições aos territórios; Memória propõe registros e gestos que passam a integrar um arquivo construído pelo público; Neblina introduz apagamentos, ruídos e instabilidades; Deslocamento produz trajetos, travessias e novas conexões entre as partes do mapa.  Assim, cada ativação produz um arquipélago diferente, formado menos pela continuidade do território do que pelas aproximações entre fragmentos, experiências e pessoas.

O trabalho dialoga com o pensamento de Édouard Glissant, especialmente com a ideia do arquipélago como forma de relação. Em Guaiaó, a ilha não aparece como território isolado, mas como algo cuja existência depende dos encontros, distâncias e conexões que estabelece com outras ilhas. A paisagem torna-se, portanto, um acontecimento coletivo e provisório: algo que se forma, se transforma e desaparece enquanto é habitado.


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Raphael Morone, 2026
Participatory game-installation – modular board, cards, objects, and archive

Guaiaó – Insular Drifts is a participatory game-installation developed from an investigation into landscape, memory, displacement, and insularity. The work emerged during the Master’s Program in Arts at UEMG and took shape during an artist residency at Casa Camelo, where the questions explored in the research began to be experimented with through play, encounter, and collective construction.

The work begins with an initially empty ocean-board. Throughout the interaction, hexagonal pieces are combined and rearranged, giving rise to islands, shores, passages, and archipelagos that never assume a definitive configuration. There are no winners or losers: to play means to move, transform the landscape, and leave traces within it. The map ceases to function as a representation of a pre-existing territory and instead becomes a temporary record of the relationships established among the people who construct it.

Four types of cards set this process in motion. Island creates points of anchorage and establishes conditions for the territories; Memory proposes records and gestures that become part of an archive collectively built by the public; Fog introduces erasures, noise, and instability; Displacement generates routes, crossings, and new connections between different parts of the map. Each activation therefore produces a different archipelago, shaped less by territorial continuity than by the proximities created between fragments, experiences, and people.

The work engages with the thought of Édouard Glissant, particularly the idea of the archipelago as a form of relation. In Guaiaó, the island does not appear as an isolated territory, but as something whose existence depends on the encounters, distances, and connections it establishes with other islands. The landscape thus becomes a collective and provisional event: something that takes shape, transforms, and disappears as it is inhabited.





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