Pãozin de Cará – Entre o porto e as montanhas
Pãozin de Cará – Between the Port and the Mountains




Ano: 2021
Livro de artista
Páginas: 200
Margem Edições
Fora de Catálogo

Pãozin de Cará é meu primeiro livro publicado. Nele, reúno prosas, poemas e pinturas que atravessam duas cidades que marcam minha trajetória: Santos, onde nasci, e Belo Horizonte, onde vivo desde 2015. Mais do que falar de origem e destino, o livro percorre o espaço entre eles — as travessias que definem a experiência migrante.

A obra funciona como um diário de bordo, mas sem seguir uma ordem linear. A escrita flui entre observações cotidianas, memórias e fabulações, criando um território próprio onde convivem mercearias e barqueiros, parques urbanos e navios imaginários ancorados no bairro Calafate. É um registro afetivo e inventivo dos deslocamentos que moldaram minha forma de habitar e observar o mundo.

O título já propõe um jogo entre as cidades. “Pãozin de Cará” é o nome de um pão típico de Santos, que carrega em si uma lenda urbana: teria deixado de levar cará na receita por conta do preço, mas o nome permaneceu. Em Belo Horizonte, essa expressão ganha nova sonoridade e atravessa minha vivência entre os sotaques e hábitos das duas paisagens.

A publicação foi editada pela Margem Edições, com coordenação editorial e preparação de Íris Ladislau. O projeto gráfico e a diagramação são de Ana Cláudia Dias Rufino, revisão de Caroline Lima e encadernação do Ateliê Phonte 88, com capa dura em tecido artesanal, remetendo aos tons terrosos e à umidade do cerrado.

Mais do que um livro, Pãozin de Cará é uma tentativa de reorganizar o mundo a partir da migração, do exílio cotidiano e da invenção de novas formas de pertencimento. A paisagem, aqui, não é um pano de fundo, mas um campo de escuta e reinvenção.


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Year: 2021
Artist's Book
Pages: 200
Publisher: Margem Edições
Out of Print

Pãozin de Cará is my first published book. It brings together prose, poems, and paintings that move between two cities central to my life: Santos, where I was born, and Belo Horizonte, where I have lived since 2015. More than speaking of origin and destination, the book navigates the space between them — the crossings that define the migrant experience.

The work functions as a logbook, though without a linear order. The writing flows through daily observations, memories, and fabrications, creating its own territory — one where corner stores and boatmen coexist with urban parks and imaginary ships moored in the Calafate neighborhood. It is an affective and inventive record of the displacements that have shaped my way of inhabiting and observing the world.

The title itself plays between cities. Pãozin de Cará is the name of a traditional bread from Santos, surrounded by a local urban legend: it supposedly no longer contains cará (a type of yam) due to cost, but the name persisted. In Belo Horizonte, the phrase takes on a new sonority and resonates with my experiences navigating between accents and habits of both landscapes.

The book was published by Margem Edições, with editorial coordination and copy preparation by Íris Ladislau. Graphic design and layout by Ana Cláudia Dias Rufino, copy editing by Caroline Lima, and binding by Ateliê Phonte 88, with a handcrafted hardcover in fabric evoking the earthy tones and humidity of the cerrado region.

More than a book, Pãozin de Cará is an attempt to reorganize the world through migration, daily exile, and the invention of new forms of belonging. Here, landscape is not a backdrop, but a field for listening and reinvention.



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